Cooperação entre Brasil e demais países no setor agropecuário é a principal expectativa dos participantes do Curso Agricultura como Motor de Desenvolvimento Econômico e Social
Nos dias 17 a 28 de outubro a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) recebeu pesquisadores, membros de órgãos governamentais e de universidades de 29 países das regiões da Ásia, África, Caribe e Oceania como participantes do curso Agricultura como Motor do Desenvolvimento Econômico e Social. Com o total de 80 horas de duração, o curso abordou os cinco principais pilares do desenvolvimento agropecuário brasileiro: a terra e seus múltiplos usos; a organização social rural; a pesquisa agropecuária como fator estratégico do desenvolvimento agropecuário; o estado e as políticas para a agricultura; o capital financeiro, o crédito rural e mercado.
A proposta central é auxiliar no desenvolvimento do setor agropecuário dos países participantes, por meio da exposição dos modelos adotados pelo Brasil e da troca de experiências na área. Para isso, foram discutidas as realidades de cada região por meio de trabalhos em grupo e apresentação de propostas de melhorias pelos participantes.
Os debates tiveram como base os Seminários apresentados por representantes dos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Embrapa. As temáticas foram relacionadas a metodologias de zoneamento, sistemas de cooperativas, participação da mulher das atividades produtivas, nichos de mercado, a estrutura e estratégias da Embrapa, crédito rural e políticas públicas da agricultura brasileira.
Além de terem acesso aos dados e pesquisas mais recentes relacionadas ao setor por meio, os participantes puderam visitar espaços destinados à produção no DF, como a Embrapa Cerrados, a Central de Abastecimento do Distrito Federal (CEASA) o Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD/DF). Nas localidades, foram apresentadas cooperativas, campos experimentais, propriedades e produtores rurais das regiões e técnicas de plantio.
A partir da apresentação do modelo brasileiro de plantio e irrigação, o Pesquisador atuante na área de Agronomia do Ministério da Agricultura da Mauritânia, Sid' Ahmed Elkory acredita ser possível otimizar a produção em seu país. “Quando obedecemos às estações do ano, plantamos apenas o sorgo, milho e trigo. Agora, com a irrigação poderemos aumentar nossa produtividade”, afirma.
Para o Assessor do Ministro da Agricultura da República Democrática do Congo, Alain Chihyoka Cirhuza, as visitas a campo também foram importantes fontes de conhecimento para gerar mudanças em seu país. “O aspecto que eu mais achei interessante no modelo brasileiro é a mobilização do cooperativismo, muitas pessoas se associam e isso faz a diferença. Sem dúvida, pretendo levar esta ideia para meu país”.
Agricultura e redução de desigualdades
O modelo de desenvolvimento brasileiro tem como base a redução das desigualdades e melhor distribuição de renda. Esse tema foi apresentado aos participantes durante uma visita ao Congresso Nacional, na palestra de Zander Navarro. Durante a palestra, políticas públicas adotadas pelo Brasil foram apresentadas aos participantes, bem como índices ligados ao tema para mostrar a realidade e avanços no quadro.
Segundo Mamadú Mudjataba Baldé, Vice-Diretor do Gabinete de Estudos e Analista de Projetos e Mercado do Governo de Guiné-Bissau, as dificuldades enfrentadas pelo Brasil são de ordem técnica, financeira e política. “Uma pequena parcela da população concentra grande parte da renda, usando somente 0,6% do território. É um processo desigual. Precisa ser melhorado e a Embrapa está trabalhando para desenvolver esse caminho de melhoria”, afirma.
Baldé explica que o governo de Guiné-Bissau pretende construir parceria com o Brasil para o desenvolvimento de seu maior produto de exportação, a castanha de caju. “O produtor não agrega valor ao produto e os vende por preços baixos aos exportadores que enriquecem cada vez mais. Estamos procurando soluções para a industrialização do processo – que é vendida no bruto – e para produzir outros gêneros trabalhando em conjunto com o Brasil”.
Assim como Baldé, a representante do Gabinete do Ministério da Agricultura do Líbano, Dra. Faten Fouad Raad também acredita ser possível uma parceria entre seu país e o Brasil para o desenvolvimento. “A capacitação foi interessante porque ajudou na forma como organizamos prioridades em nossos países. Quando você deseja desenvolver políticas na área de agricultura, você precisa saber indicadores do setor agrícola do seu país. Então nós aprendemos sobre essa organização e por isso, eu gostaria que houvesse mais programas de coordenação entre o Líbano e o Brasil, a nível de agricultura”, afirma.
“Com o fim da Guerra Civil, nosso governo está à procura de empresas e investidores com boas idéias e novas experiências”, afirma a Diretora das Ações Conjuntas a Organismos Internacionais do Ministério da Agricultura, Abla Malik Osman, do Sudão. Segundo ela, o modelo brasileiro de desenvolvimento pode auxiliar na fase de reconstrução do país. “Nosso Ministro já visitou o Brasil em outras três vezes para buscar soluções para a produtividade do Sudão. Além disso, há empresas brasileiras de pesquisa interessadas em ajudar. Estamos empenhados a desenvolver nosso país com o apoio do Brasil”, comenta.
Para Paulo Melo, chefe-adjunto de Capacitação, a apresentação da experiência brasileira na forma de conhecimentos e tecnologias disponíveis “mostra que os riscos, se encarados de forma correta, podem ser transformados em grandes e únicas oportunidades de desenvolvimento. O que importa é trazer para a discussão, em conjunto, vários aspectos relacionados à produção agrícola, mostrando ser necessária a convergência, inclusive de competências e capacidades, para que o avanço seja contínuo, definitivo e sustentável”.
Agenda dos próximos cursos sob a coordenação da Embrapa Estudos e Capacitação:
14/11 até 9/12 – I Curso Internacional em produção, Pós-colheita e Processamento Industrial de Caju – Realização conjunta na Embrapa Estudos e Capacitação, em Brasília, de 14/11 a 18/11, e na Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza, de 21/11 até 9/12. Curso integrante da Cooperação Técnica Brasil-Japão, da Third Country Training Programme (TCTP), promovido pela Japan International Cooperation Agency (JICA).
21/11 a 25/11 – Transferência de Tecnologia em Defesa Agropecuária – Realização conjunta entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Embrapa Estudos e Capacitação, em Brasília, DF. Curso integrante da Cooperação Técnica Brasileira: Agricultura, Segurança Alimentar e Políticas Sociais, promovido pela Agência Brasileira de Cooperação /MRE .
21/11 a 25/11 – Sistemas de Produção Sustentável de Coco e Classificação de Frutas e Hortaliças – Realização conjunta entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Embrapa Tabuleiros Costeiros, Em Aracajú, SE. Curso integrante da Cooperação Técnica Brasileira: Agricultura, Segurança Alimentar e Políticas Sociais, promovido pela Agência Brasileira de Cooperação /MRE.
28/11 a 9/12 – Sistema de produção de Milho para Pequena Propriedade Rural e Produção Comunitária de Sementes de Milho – Realização conjunta na Embrapa Estudos e Capacitação, em Brasília, DF, de 28/11 até 2/12 e na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG), de 5/12 a 9/12. Curso integrante do Programa de Cooperação Diálogo Brasil-África, promovido pela Agência Brasileira de Cooperação /MRE.
28/11 a 2/12 – Workshop Internacional de Gestão do Conhecimento. Realização conjunta entre Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), International Center for Tropical Agriculture (CIAT) e Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).
Mais informações:
Núcleo de Capacitação
(61) 3448-1732/1731
Texto: Scheila Fogaça
Núcleo de Comunicação
Embrapa Estudos e Capacitação (Brasília, DF)
Contatos: scheila.fogaca@embrapa.br / (61) 3448-1733
